terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os candidatos estão em campanha mas a sorte já foi lançada.


Esta­mos no último (e frenético) dia de cam­panha eleitoral para a presidên­cia dos Esta­dos Unidos, e ape­sar dos quilómet­ros per­cor­ri­dos pelos can­didatos, a sorte já foi lançada: não é suposto haver mais nen­huma sur­presa entre hoje e amanhã, quando — se tudo cor­rer bem — os amer­i­canos desco­brirem quem vai viver na Casa Branca nos próx­i­mos qua­tro anos.

Depois de todos os argu­men­tos terem sido apre­sen­ta­dos, masti­ga­dos, crit­i­ca­dos, des­men­ti­dos, ditos e red­i­tos, as sonda­gens con­tin­uam a favore­cer a reeleição do Pres­i­dente Barack Obama — e simul­tane­a­mente a con­fir­mar a divisão e polar­iza­ção política do eleitorado. A votação será nec­es­sari­a­mente ren­hida, como tem sido o caso há mais de uma década, e poderá não ser isenta de con­tro­vér­sias: este domingo,“vicis­si­tudes” no processo de voto ante­ci­pado no sen­sível estado da Florida já foram sufi­cientes para deixar toda a gente à beira de um ataque de ner­vos. A ansiedade estende-se ao Ohio, onde estão con­cen­tradas todas as atenções da América e do mundo.

É impos­sível perce­ber a quan­ti­dade de inde­cisos que ainda estão dis­pos­tos a votar amanhã. Nesta fase da cor­rida, que desde o tiro de par­tida con­tou com uma parcela reduzida de swing vot­ers, estes votos podem pare­cer irrel­e­vantes — excepto em meia dúzia de esta­dos onde podem rep­re­sen­tar a difer­ença entre a reeleição con­fortável de Barack Obama e uma vitória sur­presa de Mitt Romney.

As sonda­gens pare­cem indicar que os indecisos/independentes estão alin­har para o lado de Obama — poderá ser o resul­tado de uma reavali­ação da pos­tura do Pres­i­dente em reação ao furacão Sandy, mascomo escreve Hen­drik Hertzberg na New Yorker, a tem­pes­tade pode­ria poten­cial­mente ben­e­fi­ciar e prej­u­dicar os dois can­didatos. O Nobel Paul Krug­man acred­ita que foi o evento que fez bal­ançar o pên­dulo para o lado do Presidente.

A ver­dade é que o último dia de cam­panha é só fol­clore. Para aque­les que foram con­sum­i­dos ao longo dos últi­mos meses pelos mais ínfi­mos detal­hes da cam­panha, poderá ainda haver uma ilusão de que o que se passa hoje ainda conta. Obama e Rom­ney repe­tirão hoje as suas ale­gações finais, mais emo­ti­vas do que políti­cas. Mas as cam­pan­has já fiz­eram tudo o que podiam fazer para gan­har a eleição. Agora é só esperar.

(5 de novembro, 2012)

Bárbara Oliveira

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